Priscila Loch
Braço do Norte
Uma cidade que passou por uma grave crise que lhe tirou o título de capital latino-americana das molduras. Que ainda passa por uma crise responsável pela desistência de muitos suinocultores em relação a esta atividade que já sustentou tantas famílias. Problemas reais, mas que não abalam tão facilmente Braço do Norte. A cada obstáculo, o esforço conjunto para dar a volta por cima, vencer os desafios e fazer dar certo. Assim é a vida da maioria dos braçonortenses, tanto os de nascimento quanto os de coração.
O comprometimento das entidades e organizações é um ponto bastante forte, realmente traz resultados concretos em torno de objetivos comuns. E o povo envolve-se como pode, absorve as dificuldades alheias e, o mais importante, ajuda. Um exemplo bem claro desta característica é que não se vê pessoas pedindo esmola no município.
E quem passa por situações adversas tem motivo de sobra para ter esperanças para continuar. A família de Maria Aparecida Rodrigues de Abreu que o diga. Poucos dias após perder todos os seus pertences em um incêndio que destruiu completamente a casa, ela já recebeu muito auxílio. “A nova casa já está garantida, assim como comida e roupas. Lancei na igreja uma campanha solidária na noite de ontem (quinta-feira) para conseguiu a mobília. E no fim da missa já tinha cama, fogão, geladeira. Sempre conseguimos arrecadar o que é preciso”, salienta o padre.
A Associação de Apoio à Criança e ao Adolescente do Município de Braço do Norte (Asacad) também é uma privilegiada por estar em uma cidade tão solidária. “A entidade teve os seus convênios cancelados em outubro e quem está bancando é a comunidade. Três empresários realizaram festas, pediram doações para a Asacad e arrecadaram R$ 20 mil. Não sou natural daqui, mas tenho muito orgulho de morar aqui. Até já recebi o título de cidadã braçonortense”, elogia a presidenta da Casa Lar, Maria Georgina Fernandes Garcia, a Georgia.

As voluntárias, funcionárias e adolescentes da Asacad produziram estas apetitosas bolachinhas para vender e ajudar na manutenção da entidade
Uma feira de sucesso
A maior prova de que Braço do Norte é referência na criação de gado é a Feagro Vale. Este ano ocorreu a 9ª edição, no início de junho. A feira é a maior de gado jersey do Brasil e a segunda do gênero em Santa Catarina.
Este ano, o evento promovido no Parque de Exposições Huberto Oenning teve um diferencial: leilão eletrônico de animais, pelo canal Terra Viva, pelo qual foram arrecadados R$ 640 mil com a venda de 60 animais.
“A Feagro serve para expor os nossos produtos, e não só o gado de leite, como também outros negócios ligados ao segmento agropecuário. Recebemos visitantes de várias partes do país, e até mesmo do exterior”, lembra o prefeito Evanísio Uliano.
A feira começou pequena e foi crescendo a cada edição. Hoje, são colocados à disposição mais de 80 estandes e a comercialização termina bem rápido.
Alimentos made in Braço do Norte

Produtos alimentícios de Braço do Norte também são conhecidos em todo o país e no Uruguai. A Áurea fabrica doces de frutas e de leite, geleias, recheios, leite condensado, refrescos em pó, sobremesas, molhos e condimentos. E também distribui com a sua marca temperos e molhos de tomate. O faturamento mensal é de aproximadamente dois milhões de quilos de produtos.
São 50 anos de história. As atividades iniciaram em 1962, com a razão social Irmãos Phillippi, quando Tobias Felipe e os irmãos Nicodemos, Severiano e Davi começaram a produzir doces de frutas com as sobras de seu armazém. E logo investiram também em doces de leite. A empresa também se chamou Nicodemos Phillippi, Doces Áurea e desde 1999 é Áurea Alimentos.
Gado jersey é um setor promissor
.jpg)
A criação de gado jersey ganha cada vez mais força em Braço do Norte. Hoje, são produzidos diariamente no município 100 mil litros de leite, o equivalente a R$ 80 mil/dia, ou R$ 2,4 milhões/mês.
A pecuária leiteira existe em pelo menos 70% das 1,25 mil propriedades. Entre as principais vantagens, estão o baixo custo, a estabilidade do setor e o alto rendimento. O gado jersey é uma raça rústica, independente, que se cria muito bem em locais pequenos e acidentados. Para se ter um ideia do valor, enquanto são usados de 10 a 11 litros de leite de outras raças para fabricar um quilo de queijo, o jersey dispensa apenas oito litros.
Alguns criadores – os maiores – já começaram a investir em melhorias genéticas e a fazer transferências de embriões. Mas os pequenos pecuaristas ainda não tiveram acesso à tecnologia.
Mesmo com dificuldades, suinocultura sobrevive
.jpg)
A maior movimentação da economia de Braço do Norte vem do tripé formado por suinocultura, pecuária leiteira e fumicultura. Juntas, as três atividades representam 40%. As duas primeiras, inclusive, estão interligadas, praticamente ‘caminham’ juntas. Resultado dos dejetos dos suínos, que servem como adubo.
Existe hoje em Braço do Norte uma média de 14 suínos por habitante. São 28 mil matrizes (criadoras). Cada uma tem aproximadamente 25 leitões ao ano, o equivalente a 700 mil cabeças/ano.
Metade da produção é integrada e a outra metade de criadores particulares. E 60% das produções independentes são abatidos na própria cidade, que conta com aproximadamente 30 abatedouros, todos regularizados, com os certificados de inspeção necessários.
A participação da piscicultura e do metal-mecânico

Outros setores começaram a ganhar espaço em Braço do Norte nos último anos. A piscicultura, por exemplo, contabiliza uma produção anual de 20 a 30 mil quilos de peixes. Inclusive, já existem no município dois abatedouros de filé de tilápia com certificado de inspeção sanitária.
Outro segmento em alta constante é o metal-mecânico. A cidade é uma das mais evoluídas neste setor. “Da porta para dentro, não perdemos em nada para outros países. Em contrapartida, da porta para fora não recebemos apoio”, cita o diretor industrial da Inmes, Charles Bianchini.
Há mais de 15 anos, a Inmes exporta para mais de 30 empresas, 20 delas regularmente. E também atende diversas regiões do Brasil. Os 111 colaboradores trabalham na produção de máquinas e equipamentos para a indústria de móveis e quadros.
O ramo metal-mecânico tem ainda muito espaço para crescer em Braço do Norte, mas para na falta de mão-de-obra. Cursos são promovidos constantemente em parceira com a Associação Empresarial (Acivale).
.jpg)

